Quando era criança, a única preocupação existente era o nome da boneca da brincadeira do dia seguinte, ou então, a peça do quebra-cabeças de dez peças, as quais eu sabia todos os desenhos nos mínimos detalhes.
Numa determinada hora, num determinado dia, os nomes das bonecas não me interessavam. A vontade de brincar tinha sido esquecida. A única preocupação era a de saber o que estava acontecendo. Qual era o motivo da falta de vontade de brincar? Por que eu acordei sem vontade de pegar a boneca e simplesmente brincar, sem me preocupar com o tempo?
A adolescência estava batendo. Batendo na porta de minha calma e feliz vida. O som das batidas era frenético e agonizante. Ela conseguiu entrar sem, ao menos, deixar que eu abrisse a porta desejando-lhe "boas vindas". Naquele momento, meu corpo e, principalmente, minha mente, sofreram sérias complicações.
Aquele quebra-cabeças que eu montava e tinha todos os detalhes gravados em minha mente, não tinha mais como ser montado, já que as peças haviam sumido. Perguntas sem resposta, lágrimas sem motivo, sorrisos sem explicação, dores sem respostas, curas desconhecidas, ações impulsivas, saudades insuportáveis.
Em meus momentos de pura reflexão, cheguei à conclusão de que a vida é feita de fases e que apesar de cada uma ter um grau de dificuldade maior do que a anterior, todas são extremamente importantes. Afinal, como dizia o gênio Charles Chaplin, "... Já pensei que fosse morrer de saudades, e hoje estou vivo".
Todos os dias penso que não vou aguentar, que não serei capaz de suportar. Mas supero. E apesar de esconder a tristeza, a raiva, o ciúmes e a intolerância atrás de um largo sorriso, sei que um dia tudo isso passará e eu, finalmente, feliz e infelizmente estarei em uma nova fase da minha vida.
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